Karatê Shotokan

5/08/2008

Kata - Conceitos e Pensamentos

Arquivado em: Sem Categoria — bushikan @ 06:30

Muitas são as interpretações feitas acerca dos efeitos do treino de Kata para o desenvolvimento do praticante de Karate. 

Para alguns não passam de movimentos realizados com o objectivo de ganhar taças, para outros uma obsessão por saber o maior número deles de modo a mostrar o seu valor como karatecas e ainda há aqueles que não percebem muito bem qual a sua finalidade para o treino. 

Espero que este artigo possa clarificar certos aspectos da prática dos Kata que, para muitos de nós, permanecem num certo obscurantismo, tanto devido ao desconhecimento desses aspectos por quem os ensina ou ainda a tentativa de criação de uma aura da mistério em torno deles. 

Considero o Kata como uma representação de movimentos baseados em formas de combater e que também visam o desenvolvimento dessas formas. Qualquer pessoa com o mínimo de habilidade mental e conhecimento técnico conseguiria construir um Kata, só que com a diferença, em relação aos tradicionais, de provavelmente não cristalizar as formas de lutar que outrora se mostraram eficientes, nem tão pouco ter a componente medicinal muitas vezes evocada na construção dos mesmos pelos antigos mestres (o Sanchin tradicionalmente tem uma componente medicinal através do tipo de respirações e dinâmica corporal que utiliza).

Há quem defenda que o Kata tem um propósito simples, não se baseando em teorias complicadas ou propósitos transcendentes, sendo simplesmente uma coesão de movimentos que os seus criadores utilizavam não só para relembrar lições importantes mas também para criar conceitos holísticos. Baseando-nos nesta hipótese, o Kata, quando aprendido por si só, não tem utilidade em termos de defesa pessoal, sendo sim utilizado como o culminar de lições importantes já aprendidas. Assim, a tríade do Karate - Kihon, Kata e Kumite - não são conceitos fechados, mas sim, situações práticas contíguas e comunicantes que, opino eu, devem ter uma continuidade lógica durante o treino tendo sempre como propósito a defesa pessoal.

Ilustração 1 - Kenwa Mabuni

Desenvolvendo a força interior através da prática de Kata.

Para a sua correcta execução devemos seguir as seguintes regras:

1. Eliminar as distracções externas e concentrar-se apenas na sua intenção; 

2. Coordenar a respiração e sincroniza-la com a actividade muscular. Quando se esticar o braço, expirar até parar, mas conservar sempre 50% do ar. Deve-se ter a atenção de nunca expirar todo o ar num só momento. Quando se inspira, o nosso corpo torna-se leve. Quando expiramos, o nosso corpo fica enraizado. 

3. Ouvir a respiração e ficar atento a todas as partes do nosso corpo. 

4. Deve haver uma contracção muscular constante mas flexível nos seguintes grupos musculares: deltóide, trapézio, grande dorsal, dentados e peitorais. 

5. Para promover uma respiração diafragmática perfeita, a espinha deve estar paralela ao estômago. 

6. As técnicas são executadas para a frente e para trás de modo aos cotovelos tocarem na cintura.

Ao compreender as normas físicas e metafísicas do duro e do suave (ganrou em Mandarim e Goju em Japonês) temos de aprender que é o balanço equitativo entre os dois que permite triunfar o maior adversário de todos, nós próprios.

A dureza representa a força material do corpo humano e a agressividade de cada um. A suavidade representa a tranquilidade do nosso carácter e a elasticidade em ceder perante uma adversidade. Juntos, são atributos que se revelam através de uma análise contínua e um compromisso genuíno.

Cada um deve opor a força à flexibilidade e vice-versa. Todo o movimento do corpo, incluindo a esquiva e as manobras evasivas, deve ser executadas com uma respiração correcta. O corpo deve ser flexível como um galho de salgueiro sujeito a uma ventania; ele cede com a força do vento, mas quando esta termina, o galho espontaneamente volta à sua posição inicial. Quando se inala e o corpo se estica, ele parece uma onda gigante sem qualquer resistência. No entanto, quando uma posição estável é necessária e o ar é expelido dos pulmões enquanto se contrai os músculos, ficamos estáticos, como uma montanha.

In "Bubishi", Patrick McCarthy, 1995

 

Ilustração 2 - Choki Motobu

O Kata é um método ritualizado através do qual os segredos da defesa pessoal são transmitidos de geração em geração. Cada Kata representa uma miríade de cenários possíveis de defesa pessoal - enganando-se pois aqueles que separam as técnicas de Kata No Bunkai (aplicação do Kata) das técnicas de defesa pessoal como se fosse algo de diferente - mas é mais do que uma simples combinação de técnicas. Assim, cada Kata é uma tradição única com princípios, estratégias e aplicações distintas. A aplicação das formas são concebidas para o uso em situações de defesa pessoal de vida ou morte e assim podem ser usadas para controlar, magoar, mutilar ou mesmo matar alguém quando necessário. 

Um segundo mas igualmente importante aspecto do Kata é a sua utilidade terapêutica. Os vários paradigmas de imitação dos animais e os padrões respiratórios foram utilizados para melhorar a circulação sanguínea e a eficiência respiratória, estimular a energia ki, estender e fortalecer os músculos, fortalecer os ossos e tendões e massajar os órgãos internos. 

Executar um Kata desenvolve igualmente a coordenação, utiliza esforço de torção e promove a rotação da anca. Assim, vai permitir o incremento da biomecânica de cada um e um desempenho óptimo utilizando energia limitada. Através da regulação da respiração e sincronizando-a com a expansão e contracção da actividade muscular vamos promover a oxigenação do sangue e a aprendizagem de como criar, conter e libertar a energia ki. O ki pode levar a um considerável efeito terapêutico para o corpo, quer interna quer externamente.

O mestre Wu Bin do Instituto de Investigação do Gongfu Chinês descreve o Kata como de importância vital para a mobilização e guia da circulação interna de oxigénio, para o balanceamento da produção de hormonas e para a regulação do sistema nervoso.

 Quando se executa um Kata correctamente cada um deve promover a sua energia corporal e não se cansar excessivamente. Quando em posturas baixas, as costas devem estar direitas, os ombros baixos, queixo para fora, pélvis puxada para cima, os pés firmemente implantados e o corpo flexível de modo a que os canais de energia possam ser plenamente abertos e os alinhamentos apropriados cultivados. 

O grupo de alinhamentos únicos que são cultivados pelos Kata ortodoxos permite a abertura dos canais do corpo permitindo que a energia flua espontaneamente. O ki consegue assim "limpar" o sistema nervoso e regular a função dos órgãos internos. Em resumo, a prática regular dos Kata vai desenvolver um corpo saudável, reflexos rápidos e uma técnica eficiente, ajudando a preparar uma resposta mais efectiva para situações potencialmente perigosas. 

In "Bubishi", Patrick McCarthy, 1995

Outro aspecto importante quando falamos em Kata é a sua origem histórica. Eu próprio durante a minha prática nunca tive acesso a esta e ao propósito do Kata que praticava, criando em mim um vazio pois a sua finalidade era "decorá-lo" para obter êxito em exame. Ao conhecermos a história de um Kata apercebemo-nos das circunstâncias em que foi feito, da sua origem, do seu trajecto, dos protagonistas, etc. o que permite dar sentido a sua execução e conhecer o seu propósito na altura em que foi criado. Além disso a sua história constitui um estímulo positivo, ao saber que foi praticado por mestres que estão separados de nós centenas de anos e em circunstâncias muito particulares.

Infelizmente hoje em dia a prática de karate passa muito por um aprendizagem incorrecta dos Kata, segundo a minha opinião, não se objectivando a sua componente prática e os pormenores que o constituem. Acredito que um Kata precisa de ser trabalhado, surgindo para nós como uma pedra em bruto que precisa de ser limada. Isto quer pela prática da forma (execução do Kata) quer pela sua aplicação prática (Kata No Bunkai). O ciclo muito característico - memorização/exame - tem de ser quebrado e é preciso conceber nos alunos e em nós próprios instrutores um conceito global, vendo cada técnica do bunkai como uma situação que representa uma parte de um suposto combate real que precisa de ser assimilada (e não decorada) e compreendida de modo a surgir espontaneamente numa situação real. 

A finalidade é também muito importante, quando praticamos um Kata. Por exemplo no Naifanchin é preciso ter consciência que cada subida e descida da perna na posição naifanchin-dachi pode representar o quebrar ou o luxar da perna ou joelho do adversário. Este facto deve estar na nossa mente ao executá-lo, pois acredito que assim poderemos compreender o verdadeiro sentido para que foi construído, além de aperfeiçoar biomecanicamente a execução de tal movimento, já que passamos a ter consciência do objectivo daquele acto.

Outro exemplo é o Kata Sanchin, que representa, segundo o seu nome, o combate entre o corpo, a mente e o espírito. Deste modo apesar da sua forma não ser muito complicada, o uso da correcta respiração, contracção muscular e movimento durante o condicionamento executado por um companheiro torna-o uma prova muito dura de superar fazendo pleno uso das três componentes acima mencionadas, derivando daí o seu nome - o Kata das três batalhas.

Posto isto podemos verificar que bastaram dois pequenos conceitos (o conhecimento do porquê da subida e descida do membro inferior no primeiro Kata e do significado do segundo Kata) para alterar o nosso conceito dos mesmos e construir a unidade lógica que constitui cada Kata.

Ilustração 3 - Kenwa Mabuni executando o Kata Sanchin


Ilustração 4 - Anko Itosu

Itosu em 1908 numa das suas dez instruções (ver site) refere: A propósito dos Kata de karate é necessário treinar-se repetindo-os o mais possível. Mas é absolutamente essencial conhecer o significado e a aplicação de cada técnica. É necessário saber que existem numerosos ensinamentos orais complementares aos Kata para as técnicas de ataque, de defesa, de desprendimento e de agarrar.

Enquanto ensinava os seus estudantes e explicava as diferenças básicas entre as escolas de Itosu e Higaonna, Kenwa Mabuni prestava uma maior atenção aos Kata. Ele acreditava que os Kata, que combinavam técnicas de ataque e de defesa, eram a parte mais importante do Karate-Do, e que era necessário entender o significado de cada movimento e executá-lo correctamente. Kenwa Mabuni foi o primeiro a introduzir o conceito do Bun-kai Kumite e do Hokei Kumite, que demonstram o propósito e mostram o uso correcto de cada Kata. O resultado final do treino apropriado do Kata e Kumite é a possibilidade de aplicar as técnicas de karate-do no Kumite livre. A prática do Kata também ajuda a transmitir os conhecimentos em si codificados para a geração seguinte.
De acordo com Kenwa Mabuni o estudante ignorando o Kata e praticando apenas Kumite, nunca irá progredir no Karate-Do e nem irá entender o seu significado.

Taiji Kase - 9º Dan de Karate-Do Shotokan-Ryu - conta que os mestres seniores diziam que Yoshitaka Funakoshi (filho do pai do Shotokan - Gichin Funakoshi), quando fazia um Kata, levava a assistência a perceber uma sensação especial e uma tremenda impressão de perigo iminente. Isso levava-os a dizer que era assim que se devia fazer os Kata. Também segundo Kase, os que observam a execução de um Kata devem sentir e notar algo que provêm das vibrações da nossa força interior e determinação. Se os que observam não sentem nada, o Kata não está a ser bem realizado, é como uma "ginástica ou baile".

Ao analisarmos os três parágrafos precedentes que dizem respeitos a afirmações de figuras de inegável respeito e conhecimento no universo do karate, podemos concluir que a prática de Kata deve ser constante e séria, que é de extrema importância para a defesa-pessoal e que a forma de executá-lo deve transmitir o poder de quem o faz.

Gostava de dizer que dou grande importância à prática correcta do Kata e faço uma análise deste processo como um meio para atingir um objectivo (a eficiência em combate real, melhoramento da condição física, etc.) e não um fim por si só.
Nunca admirei um mestre por saber muitos Kata, pois quantidade nunca significou qualidade. Mais importante é a sua capacidade humana e técnica, que faz com que ao entra-rem no Dojo a sua presença se sinta de imediato e que quando praticamos com eles ou os vemos em acção constatemos o seu enorme potencial.


Considero que cada um de nós deve procurar a verdade daquilo que pratica e não cair naquilo que o grande mestre "Bushi" Matsumura (1809-1901) relata como:

Arte marcial do intelectual - "pensamos em diferentes formas de treino sem as aprofundar. Conhecemos numerosas técnicas mas a prática é como uma dança sendo incapazes de as aplicar em combate. Não se é melhor que uma mulher" (com todo o respeito pelas mulheres acrescento eu).
Arte marcial do pretensioso - "agitamo-nos bastante sem nos treinarmos realmente, portanto, falamos muitas vezes das nossas façanhas gloriosas, causamos tumultos, desordens e ofendemos os outros. Segundo as circunstâncias arriscamo-nos à auto-destruição ou à desonra da nossa família".

Ilustração 5 - "Bushi" Matsumura

Assim ele acrescenta - São inúteis as artes marciais do intelectual e do pretensioso - valorizando apenas a arte marcial do budo.

Por vezes quando treino com outros colegas vejo o quanto a prática do Kata é banalizada (e se calhar por vezes por mim também), não havendo nem a emoção nem a seriedade necessária para a sua prática, acabando-se por cair numa análise superficial em vez de profunda e completa.

 

Espero com este texto dar voz (com toda a humildade) a uma maioria silenciosa que pratica karate e que por vezes atravessa um abismo de desconhecimento em relação a arte que pratica.

O CÓDIGO ÉTICO DO KARATÉ

Arquivado em: Sem Categoria — bushikan @ 06:06

O Karaté é fundamentalmente BUDO e assim sendo, o seu código ético é inspirado pelo do BUSHIDO.  Neste código, a honra e a lealdade são dois dos seus princípios mais importantes. Mas, não menos significativos, temos também: justiça, coragem, bondade e benevolência, sinceridade, correcção e respeito, humildade e modéstia e especialmente auto-controlo em todas as circunstâncias.

Estes valores são necessários para a vida em comunidade. No entanto, apesar de representarem a arquitectura espiritual do Homem, tendem a desaparecer nas sociedades modernas. Assim, a primeira grande missão de qualquer Cinto Negro é a de renovar estes princípios, tornando-os vivos com o seu comportamento exemplar.

 

HONRA - MEIYO

A dignidade fatal. Sem honra não poderá haver combate. Tudo depende disto. Significa possuir e respeitar o código ético de forma justa e dignificante.

“A honra é a poesia do dever.” /Alfred de Vigny/

 

LEALDADE - CHUJITSU

A honra não pode ser usada sem sinceridade para com determinados ideais e para com as pessoas que a possuem. Ela é imprescindível para cumprirmos a nossa obrigação e mantermos a nossa palavra.

“A lealdade é necessária no bem-estar, é imprescindível na desgraça.” /Seneca/

 

SINCERIDADE - SEIJITSU

A lealdade necessita de sinceridade nas nossas palavras e acções, porque a intimidade não pode existir sem ela. A mentira e a ambiguidade produzem a suspeita que é fonte de disputas e rixas.

A saudação no Karaté é uma expressão desta sinceridade. Ela é um sinal daquele que não oculta os seus ideais e sentimentos e consegue ser ele próprio.

“As palavras sinceras não são elegantes, as palavras elegantes não são sinceras.” /Lao c’/

 

CORAGEM - YUUKI

A força de espírito que nos faz resistentes ao perigo e sofrimento, chama-se coragem. Significa respeitar, sob todas as circunstâncias, tudo o que nos possa parecer bem e ser capaz de ultrapassar os nossos receios e medos. Valentia, entusiasmo e, sobretudo, vontade, são pilares de coragem.

“É preferível viver um dia como um leão do que 100 anos como um carneiro.” /provérbio/

 

BONDADE e BENEVOLÊNCIA - SHINSETSU

A bondade e a benevolência são sinais de coragem e revelam um alto grau de humanismo. Dispõem-nos num estado de espírito que nos conduz à ajuda mútua e com a atenção dirigida aos outros, ao futuro, ao ambiente e ao respeito pela vida.

“A benevolência encontra-se no caminho dos deveres” /Mencius/

 

MODÉSTIA e HUMILDADE - KEN

A bondade e benevolência não podem ser expressas sem moderação na auto-avaliação. A única garantia de modéstia é a capacidade de ser humilde, sem orgulho ou vaidade. Quer dizer, ser autêntico e real sem falsas imagens de si mesmo.

“Se os rios e os mares imperam sobre todos os riachos, é só porque eles se mantêm abaixo do nível destes.” /Lao c’/

 

JUSTIÇA - TADASHI

Justiça significa seguir e cumprir deveres e nunca se afastar deles ou deixá-los. Lealdade, honra e sinceridade são pilares da justiça, capacitando-a de sensatez para as decisões correctas.

“Ninguém perderá no caminho correcto” /Goethe/

 

RESPEITO - SONCHOO

A justiça evoca o respeito aos olhos daqueles que nos rodeiam. Caracteriza a capacidade de tratar as pessoas e as coisas com consideração, não olhando à sua idade, mérito ou religião.

Correcção no comportamento é expressão do respeito pelos Homens sem reparar nas suas riquezas, fraquezas e posição social.

Etiqueta e cerimonial são a expressão do respeito e da correcção.

“Aquele que não respeita a Deus e a si próprio, embora respire, não vive.” /Provérbio Sânscrito/

 

AUTO-CONTROLE - SEIGO

Esta deveria ser a característica incondicional de todos os Karatecas. Significa o perfeito controlo do nossos instintos e sentimentos, sendo um dos alvos na prática de uma Arte Marcial. Além de tudo mais, os nossos sucessos estão dependentes disso. O dever e a honra na moral tradicional estabelecida para o Karate-Do, são a base para conseguir esta perfeição.

“Um lago reflecte as estrelas melhor do que um rio.” /Th. Jouffroy/

Prevenção de Lesões no Desporto - parte 2

Arquivado em: Sem Categoria — bushikan @ 06:01

Tipos de lesões e lesões mais frequentes no desporto

Existem dois tipos de lesões desportivas: as lesões crónicas e agudas. As lesões agudas são aquelas que se manifestam repentinamente durante o desporto ou exercício e podem incluir uma torção no tornozelo ou nas costas, ou fracturas nas mãos. Em contraste, as lesões crónicas ocorrem após a prática prolongada de exercícios ou desportos.

Como sinais de uma lesão aguda podemos considerar os seguintes:

ü Dor repentina e intensa;

ü Inchaço;

ü Incapacidade de suportar peso sobre uma perna, joelho, tornozelo, pé, braço, cotovelo, pulso, mão ou dedo muito sensível;

ü Incapacidade de movimentar uma junta de forma normal;

ü Extremidades fracas;

ü Osso ou articulação visivelmente fora de lugar.

Por sua vez, os principais sinais de uma lesão crónica são os seguintes:

ü Dor durante o jogo;

ü Dor durante o exercício;

ü Dor leve durante o repouso;

ü Inchaço

 

Aquecimento e Arrefecimento

O aquecimento serve para elevar a temperatura dos músculos antes da prática de exercício ou desporto e ajuda a prevenir as lesões. Os músculos quando quentes são mais flexíveis e estão menos expostos às roturas que os músculos frios. O aquecimento mais eficaz é a prática lenta e progressiva dos movimentos do exercício ou do desporto. Assim, aumenta-se a irrigação dos músculos que serão utilizados, aquecendo-os e preparando-os para exercícios mais activos. O fluxo de sangue deve aumentar para proteger os músculos das lesões durante o exercício.

O arrefecimento serve para afrouxar o passo gradualmente no fim do exercício, ajudando também a prevenir tonturas. Quando o exercício é bruscamente interrompido, o sangue estagna nas pernas e o sangue que chega ao cérebro é insuficiente, provocando assim as tonturas. Também ajuda a eliminar o ácido láctico - produto residual que se forma nos músculos depois do exercício – mas não previne de uma possível retenção do mesmo.

Ambos são igualmente importantes para a prática do desporto/ exercício, contribuindo assim para o bem-estar da pessoa e evitando também qualquer tipo de lesão.

Conclusão

Resumidamente, podemos atentar em 3 aspectos que contribuem para a prevenção das lesões: aspecto comportamental - higiene pessoal, boa preparação física, programas de estimulação geral e boa preparação psicológica (concentração); aspecto técnico - uso de equipamento seguro e tecnicamente adaptado, prática desportiva em locais seguros, limpos e bem iluminados, métodos de treino adequados ao grau de desenvolvimento e maturação do atleta; aspecto organizativo - exames médicos de competência e sua avaliação.

Esperamos assim ter conseguido proporcionar novos conhecimentos através da publicação dos textos anteriormente apresentados, se tiver alguma dúvida é só dizer, que nós respondemos rapidamente. Obrigado pela sua atenção.

Prevenção de Lesões no Desporto - parte 1

Arquivado em: Sem Categoria — bushikan @ 05:59

Introdução

As lesões são uma consequência de métodos de treino incorrectos, de anomalias estruturais que forçam certas partes do corpo mais que outras e da fragilidade dos músculos, tendões e ligamentos. O desgaste crónico é a causa de muitas dessas lesões, que resultam de movimentos repetitivos que prejudicam os tecidos vulneráveis. As lesões desportivas mais comuns são: distensões e entorses, lesões do joelho, inchaço muscular, danos tendão de Aquiles, dor na tíbia, fracturas e deslocamentos.

Como praticar exercício físico evitando lesões

Repetir o mesmo exercício todos os dias não contribui para o bom estado físico e aumenta as probabilidades de haver uma lesão. Além disso, deve-se sempre interromper o exercício quando se sente qualquer dor, para não piorar uma possível lesão. Através de um programa de treino, uma pessoa pode alternar os dias de exercício ou, se pretender fazer diariamente, pode-se trabalhar diferentes grupos de músculos em dias alternados, ou fazê-lo num dia de forma intensiva e menos no seguinte. Existem três métodos, ambos eficazes, para a prevenção das lesões: fazer exercícios em dias alternados, alternar os exercícios e idealizar o princípio do “difícil-fácil”.

Fazer exercícios em dias alternados

É perfeitamente normal acordar com os músculos rígidos e doridos no dia após a prática de um desporto competitivo ou de um exercício intenso, pois é uma forma de provar que houve um esforço físico na prática da actividade. O modo mais rápido de recuperar dessas dores musculares é descansar, evitando qualquer esforço físico durante esse(s) dia(s).

Um exercício prolongado e activo pode consumir grande parte do açúcar armazenado (glicogénio) nos músculos do nosso corpo, que é a principal fonte de energia utilizada durante o exercício, se os valores de glicogénio forem baixos, os músculos sentem-se pesados e cansados. O glicogénio obtém-se através da ingestão de alimentos ricos em hidratos de carbono, tais como: pão, massa, frutas, cereais, grãos inteiros e a maioria das sobremesas). O descanso contribui para que grande parte do glicogénio chega aos músculos e de seguida seja armazenado, para curar as fibras musculares lesionadas.

 

Alternância de exercícios

Existem diversos exercícios que mantêm tensos diversos grupos de músculos, por exemplo:

ü  Correr exercita os músculos inferiores da perna;

ü  Apoiar-se nos calcanhares e levantar-se sobre os dedos exerce maior força sobre o tornozelo;

ü  Andar de bicicleta exercita os músculos superiores da perna e pedalar, os joelhos e as ancas;

ü  Remar e nadar exercitam a parte superior do corpo e das costas.

Um dos bons planos de treino pode ser executado apenas praticando os músculos inferior do corpo num dia, e noutro os músculos superiores. Assim os músculos têm tempo para se recuperem, evitando assim lesões e contribui também para uma melhor condição física. Por exemplo, quem faz maratona lesiona-se com maior frequência do que quem faz triatlo, pois, apesar destes praticarem três desportos distintos, podem exercitar os diferentes grupos de músculos em dias alternados, num dia podem correr, noutro andar de bicicleta e depois nadar, evitando assim as lesões.

Princípio do “difícil-fácil”

Para se conseguir uma melhor preparação física, pode-se também optar por fazer um exercício intenso duas ou três vezes por semana, e nos outros dias fazer um exercício menos intenso.

Esta noção refere-se mais à intensidade do que à quantidade. Por exemplo, num dia “fácil”, um maratonista poderá correr 37 km, num passo muito mais lento que num dia “difícil”, os levantadores de pesos podem levantar os pesos mais pesados apenas uma vez por semana e nos restantes dias pesos ligeiros.

Para desenvolver força, velocidade e resistência deve-se praticar arduamente durante um dia para fazer com que os músculos se sintam pesados ou um pouco gastos, provando assim que houve um esforço físico e que os músculos foram adequadamente trabalhados. Normalmente, os músculos doem cerca de 48 horas. Após esse treino intenso pode-se continuar a exercer actividade, mas com menor intensidade, até que os músculos deixem de doer, caso contrário causa lesões e diminui grande parte o rendimento anteriormente obtido.

Após o exercício podem aparecer dois tipos de mal-estar: uma inflamação muscular retardada que aparece ao fim de várias horas devido a um exercício intenso, mas passadas 48 horas a pessoa sente-se melhor; o outro, que é mais grave, é a dor causada por uma lesão, não desaparece nas 48 horas seguintes e prejudica o rendimento da pessoa ou atleta.

4/08/2008

A arte de lutar com as mãos vazias!

Arquivado em: Sem Categoria — bushikan @ 19:51

Karate

Karate foi originado na Índia ou na China, há aproximadamente doze séculos. A medida em que a arte foi sendo desenvolvida, estudada, cultivada e transmitida através das gerações, mudanças e contribuições foram somadas para a formação de diversos estilos de karate em evidência atualmente.

História

Há milênios já existiam formas de lutas sem armas, e na época dos samurais no Japão, não existia o conceito de esporte. os guerreiros praticavam artes marciais também como forma de exercícios físicos, através dos quais educavam a disciplina, a moral, o civismo e impunham a paz e a moral à sua Nação.

O grande responsável pelo desenvolvimento do karate, foi o mestre Gichin Funakoshi, que introduziu o karate como esporte no Japão e foi convidado pelo ministério da educação japonês, para dar aulas de karate nas escolas e universidades do país. O mestre Funakoshi pretendeu com seu método que visava a educação física como forma de defesa pessoal, aliada à filosofia dos samurais, mas com base científica, ajudar os estudantes em sua formação como homens e cidadãos úteis a sociedade, tudo isso, sem perder o verdadeiro espírito marcial da luta.

O karate foi considerado "arte divina" pela sua grande eficiência no combate real. Um dos fatos mais importantes para o desenvolvimento do karate, foi o surgimento do "karate-competição" como esporte. Nos anos 30 e 40, o karate começou a se espalhar pelo mundo.

Aqueles poucos indivíduos, que realmente alcançaram uma alta condição na arte do karate, exibem capacidades que parecem estar próximas dos limites do potencial humano. O praticante de karate, uma pessoa altamente treinada nos aspectos físico-mentais, quando se confronta com o atacante, apresenta um comportamento diferenciado e da provas de sentimentos completamente incomuns a alguém tão ameaçado. Existe um ruptura de pensamento intelectual e de emoções como raiva, medo e orgulho. Em lugar disso, ele não se sente como indivíduo separado das coisas que o cercam, como um indivíduo em seu ambiente. Até mesmo seu oponente é olhado como uma extensão de si próprio. É natural que tais sentimentos subjetivos estejam abertos ao estudo científico.

Introdução Filosófica

Estes são os lemas do lutador de karate:

I- Esforçar-se para formação do caráter (Disciplina);
II- Criar o intuito de esforço (Determinação);
III- Respeitar acima de tudo (Respeito);
IV- Conter o espírito de agressão (Desapego);
V- Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão (Honra).

A palavra "karate" é derivada de uma expressão usada na filosofia zen, que pode ser considerada como parte integrante da filosofia oriental. A palavra "sora" que se pronuncia também como "kara" ou "kuu", representa o universo. No pensamento zen, a palavra contém o ato ou processo de libertação da pessoa ou seu ego, conseguindo um estado de mente que não é afetado por nada, isto é, estado de inexistência. Este "estado", significa o esforço para livrar a pessoa de qualquer tipo de desejo e desenvolver um caráter respeitável. Portanto o verdadeiro propósito do karate é treinar de tal forma que o praticante possa viver de maneira agradável, saudável, honrado e digno, sem criar problemas, sem temer ao forte ou poderoso, sem se humilhar ante o homem influente, e sem se tornar cego pelas riquezas da terra (desapego). Esse equilíbrio existe através do In e You, que em conjunto, formam o universo, numa combinação do positivo e negativo. O significado atual do karate, se deve ao mestre Gichin Funakoshi, que mudando o sentido original do nome, introduziu a palavra KARA com significado de vazio, Céu, Universo. TE significa mão e DO caminho. Literalmente karate significa o caminho das mãos vazias (Por isso se diz que o lutador de karate usa o próprio corpo como armas para lutar) ou num sentido mais filosófico, caminho que contém o universo.

No karate existe uma famosa expressão do mestre Funakoshi: "Karate Ni Sente Nashi", que significa que primeiro a defesa é importante, depois o ataque, sem perder o espírito ofensivo, esse provérbio explica claramente o objetivo do karate que é conter o espírito de agressão. Dessa forma, nota-se a atitude de respeito na prática do "Kata" (Luta imaginária), as quais sempre se iniciam com técnicas de defesa.

Funakoshi com 20 ensinamentos

01- O karate inicia-se e termina com saudações.
02- No karate não existem golpes de agressão.
03- O karate apóia o caminho da razão.
04- Conheça-se a si próprio antes de julgar os outros.
05- A principio lapidar o espírito, depois a técnica.
06- Evitar o descontrole do equilíbrio mental.
07- A falha surge com a acomodação mental e física.
08- O karate não se limita apenas ao Dojo.
09- A essência do karate se descobre no decorrer da vida.
10- Dará frutos quando associado a vida cotidiana.
11- O karate é igual água quente: se não recebe calor constantemente ela esfria.
12- Não pense em vencer, mas não pense em derrota.
13- Mude sua posição conforme o tipo de adversário.
14- A luta depende do bom motivo da teoria In e You.
15- Imagina que seus membros são espadas
16- Para o homem que sai do seu portão, existe milhões de adversários.
17- No princípio, seus movimentos são artificiais, mas com a evolução tornam-se naturais.
18- A prática de fundamentos deve ser correta. Enquanto em uso torna-se diferente.
19- Domínio do seu corpo na coordenação, na força, na velocidade e elasticidade.
20- Estudar, criar e aperfeiçoar-se constantemente.

É comum que o principiante praticante de karate, notando seu rápido desenvolvimento, seja tomado por uma onda de impetuosidade, sentindo a necessidade de por em prática seus conhecimentos adquiridos. Esta idéia deve ser detestada e sanada, para que não venha a afasta-lo do real objetivo do karate, que é o de nobreza de espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança; "possuir suavidade no seu exterior tendo quando necessário, coragem de enfrentar milhões de adversários, vibrar no seu interior". Esse é o verdadeiro espírito do karate.

Desenvolvido por NetPainel.com - Soluções para Internet & HBS Marketing Group - My1blog.com - O Seu Blog Gratis